A vitimização como forma de propaganda

Eu não gosto de me meter nestas tretas dos blogs com conotações políticas, aliás abomino a “blogosfera”, é feita de snobs que se acham grandes intelectuais porque com meia dúzia de cliques fizeram um blog sem saber ler ou escrever.

No entanto quando usam a vitimização a seu favor sobre um assunto no qual são ignorantes e falam com toda a razão no mundo existe algo cá dentro que ferve.

Bebé Chorão

Existem vários exemplos destes, um dos mais conhecidos foi o do blog Abrupto do Pacheco Pereira, onde se queixava que existia um “falso” Abrupto com conteúdos para adultos. Deu-se ao trabalho de escrever um post sobre isto onde falava sobre falsificar rankings no Google, PageRank e mais uma panóplia de coisas de que não percebe.

O Pacheco Pereira falar de SEO faz tanto sentido como o representante da Quercus falar da velocidade de passagem que uma caixa DSG proporciona.

Mas lá fizeram a vontade ao senhor Pacheco Pereira e lá começaram a colocar links para o Abrupto para ele subir nas páginas de resultados. Esta falsificação de rankings… :lol:

Mas este blog ainda tinha alguma fama, já a mais recente vitimização veio de um blog desconhecido, o Aventar. Estes senhores para tentarem ter algumas visitas e reconhecimento decidiram lançar um anúncio provocatório num jornal, mas a coisa correu mal. É que para ter um blog online não basta instalar o WordPress, meter uns plug-ins que “dizem que são bons” e deixar andar.

Ora, se o Mais Gasolina quando apareceu na RTP já estava preparado para tal com conteúdo estático teve um pico esperado de visitas e o servidor aguentou-se à bronca a responder a 400 pedidos por segundo, imaginem o resultado num serviço de alojamento partilhado com uma má instalação de WordPress.

É claro, o site ficou inacessível, algo que se resolvia se seguissem este guia. Alojados num serviço de alojamento partilhado rapidamente o serviço caiu. Mas a culpa foi atribuída a uma conspiração do governo de José Sócrates, a inabilidade de preparar um site para um pico de visitas nada teve a ver com o assunto.

Com o site em baixo e sem saber o que fazer rapidamente se apressaram a lançar o boato. “Peço-lhe encarecidamente que retire todos os links que fez para o Aventar. A Esotérica não desbloqueia o acesso ao blogue enquanto não retirarmos o anúncio reativo ao primeiro-ministro.”, comentaram no Blasfémias, mas sei de fonte segura que isto nunca foi indicado. Ao Público indica que “Agora, também é verdade que 200 visitas numa hora mandar abaixo um servidor é razão para mudarmos de alojamento e não motivo para imaginarmos situações mais complicadas.”, no entanto as visitas foram medidas com o Sitemeter, um contador em Javascript que apenas conta uma visita quando a página é carregada.

Ora, no Mais Gasolina a diferença entre um contador semelhante (Google Analytics) e os pedidos efectuados ao servidor foram cerca de 20.000 utilizadores únicos a menos.

E afinal onde quero chegar com isto? Utilizar a vitimização como forma de propaganda através de factos funciona, já o mesmo cenário com dados incorrectos faz levantar umas sobrancelhas, e se a “treta” passa nalguns meios mais desinformados, noutros locais atiram-se os factos cá para fora e a credibilidade acaba por cair no meio onde estão envolvidos. E se a curto-prazo é um óptimo link-bait, a longo prazo acaba por denegrir completamente o bom nome do site/blog/projecto/etc.

 
Copyright © 1985 - 2017 Eduardo Maio. Alguns direitos reservados.
eduardomaio.net - Às vezes mais valia ser Agricultor do que Programador
Ao navegar no blog eduardomaio.net está a concordar com os termos legais e de privacidade.