O que aconteceu afinal à revolução do tablet?

Prometeram que o tablet ia matar o desktop e que no futuro ninguém ia ter um computador em casa.

No entanto em 2017 apenas 4% dos acessos via web foram feitos num tablet, 42% usaram um desktop ou portátil e 54% o telemóvel. E este número tem vindo a descer consideravelmente, menos 3% que em 2016.

O que aconteceu afinal?

Homem a usar um tablet

Numa empresa existiu uma transição do computador portátil para o tablet para trabalhos remotos e no cliente. Não durou mais de 6 meses, os equipamentos eram mais lentos que um portátil, era necessária uma capa para ter um teclado físico porque escrever no ecrã era lento, e as aplicações eram muito limitadas.

Hoje em dia ainda menos sentido faz com os portáteis a serem cada vez mais leves e mais finos e com a mesma performance que um desktop para as tarefas do dia-a-dia.

Também na educação está a mudar o paradigma. Não tanto em Portugal onde nem o famoso portátil Magalhães chegou a ter grande uso nas salas de aulas, mas noutros países onde se adoptou o tablet como ferramenta de educação passaram a usar notebooks/netbooks.

A nível pessoal o tablet nunca vingou e a utilização que se faz num telemóvel é a mesma de um tablet. A diferença era apenas o ecrã que era maior, mas com o aumento dos ecrãs e de performance dos telemóveis o tablet começou a cair em desuso.

Quem é que ainda usa tablets afinal?

Em eventos ainda é possível ver tablets como forma de consultar informação. A mesma situação ocorre em museus e outras exposições onde um tablet oferece possibilidade de interagir com a informação apresentada ou simplesmente mudar o idioma com um toque.

Num restaurante cheguei a ver a ementa num tablet, mas que era lentos e difícil de consultar. Em dois outros restaurantes era entregue o tablet com a conta, um deles permitia até confirmar que a conta estava certa e colocar o NIF para pedir a factura. Em termos de custos temos a aquisição dos equipamentos que permite imprimir muitas folhas de consulta de mesa, e em facilidade de utilização era mesmo para esquecer, especialmente por que não trabalha com tecnologias de informação diariamente.

Nestes casos pareceu mais uma forma de tentar usar a tecnologia para fazer parecer que se está a melhorar um serviço, quando na realidade ocorre o oposto.

Que futuro tem um tablet?

Na minha opinião, não tem. A sua aplicação é tão limitada que não justifica um investimento na tecnologia. Algumas agências que desenvolvem para a web e aplicações mobile já reduziram as horas despendidas a programar para estes equipamentos. Os próprios fabricantes são capazes de lançar duas versões de um novo smartphone antes de anunciar um novo tablet.

E os consumidores? As empresas continuam a adoptar o portátil como ferramenta de trabalho e os particulares vêm nos telemóveis um equipamento mais que suficiente. Mesmo para ver vídeos, quem optava por um tablet agora usa apenas o telemóvel ou liga-se à televisão de casa controlando o que vê pelo telemóvel.

O facto dos tablets na sua maioria não fazerem chamadas ou ser necessário auricular para tal, pelas suas dimensões, e por ser mais um dispositivo que não complementava o telemóvel mas duplicava-o com menos funcionalidades ditou o seu fracasso comercial.

Hoje em dia é fácil comprar um portátil híbrido que faz o mesmo que um computador e pode ser usado como um tablet, e é o mesmo equipamento num só, e o preço praticamente igual. E as aplicações que existiam para tablet também existem para smartphone com as mesmas funcionalidades mas num ecrã ligeiramente mais pequeno.

O flop do tablet veio mostrar que não é o ser humano que se deve adaptar à tecnologia, mas sim o inverso, por muito que algumas empresas queiram forçar novos paradigmas e vender soluções para problemas que não existiam.

 
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