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Quem lê este blog regularmente percebe que sou contra as alterações e efeitos sem sentido típicas da Web 2.0. Ora, desta vez, um site que uso regularmente decidiu fazer o mesmo à sua página inicial. Sim, estou a falar do Google!

Parece que já estou a ouvir uns certos indivíduos a bater palmas e a dizer “Finalmente o Google passou a ser Web 2.0”.

Motor de pesquisa Google

O efeito que decidiram utilizar foi esconder todo o conteúdo e deixar apenas a barra de pesquisa, sendo o restante conteúdo apresentando com um efeito de fade apenas quando o utilizador passa o rato nalgum ponto da página.

Será que alguém ficava distraído pelos links minimalistas e a cada ponta do ecrã, levando-os a pensar para que servia o Google? Será que a adopção de Google como verbo não é mais do que suficiente?

Em termos de usabilidade dá a sensação ao utilizador comum que o Google está lento e demora a carregar. Tão lento que após escrever google.pt na barra de endereços e começar a mexer no rato é que o site “carrega todo”.

É mais uma daquelas alterações Web 2.0 que usam mais código e não fazem nada de útil ou pioram um interface familiar e que funciona correctamente.

Ainda existe quem acredite que o PageRank é um sinal de sucesso online e que é este que rege quem aparece primeiro nas pesquisas do Google. Ainda existem quem pense que ter muitos seguidores no Twitter é um sinal de sucesso e que no futuro quem tiver mais seguidores será quem terá uma presença online mais forte.

A Internet veio criar egos gigantescos, alguns do tamanho da própria rede, mas quando confrontados com a frase show me the money será que existe algum?

Episódio do South Park sobre o Youtube

O PageRank morreu à muito tempo, sempre tive sites com PR1 e PR0 a aparecerem primeiro que alguns sites concorrentes com um PageRank superior em termos competitivos. No Google é que decidiram finalmente oficializar que o PageRank é apenas mais uma métrica e não a métrica pela qual se classificam as páginas nos SERP’s. No MaisTráfego está um post bem engraçado sobre o assunto.

O Twitter, bom, pelo que pude observar é um jogo do “tu segues-me a mim e eu sigo-te a ti”. Nunca gostei do Twitter, mas como este senhor me chateou bastante lá decidi colocar o Twitter no Mais Gasolina como complemento ao novo serviço de alertas dos preços dos combustíveis.

Até cheguei a ter um dos gurus do Twitter em Portugal a seguir a minha conta, mas como não o segui ele rapidamente cancelou a sua subscrição. Em termos percentuais existem mais clicks vindos do feed RSS dos alertas dos preços dos combustíveis do que do Twitter, portanto quem segue o feed está realmente interessado no preço dos combustíveis, que segue no Twitter está apenas a coleccionar cromos e a dizer aos amigos que tem uma colecção grande.

Estes egos gigantes de privados ou de empresas 2.0 prá frentex deviam dar uma vista de olhos num episódio já antigo do South Park onde gozam com os “famosos” do Youtube que têm milhões de visualizações e por isso têm direito a um cheque com “pseudo-dollars”. Para aqueles que não perceberam, podem ter muitas visitas e visualizações, mas não têm nenhum retorno monetário, apenas uma massagem ao ego.

O sucesso na Internet não se mede pelo PageRank, pelos seguidores do Twitter, e atrevo-me a dizer que nem pelas visitas de um site. Existe muito “anónimo” na web com os quais tive o prazer de trocar algumas impressões e estão a receber quantias consideráveis dos seus sites online, sem comunidades ou whoring nos social-media.

E agora vou-me preparar para o hate mail que vou receber, como tem sido costume ;)

Anda o mundo inteiro a delirar com o hype da web 2.0. Site que se preze tem que fazer requests em Ajax, de preferência desenvolvido com Ruby on Rails, nem que se trate de um simples site institucional. Para completar em beleza, tudo feito com 3 ou 4 bibliotecas de Javascript da moda para ter aqueles efeitos todos giros.

Bibliotecas de Javascript

Isto a mim faz-me lembrar o Flash. Em 2004 ainda existiam empresas nacionais que, se não queriam o site totalmente em Flash, pelo menos tinham que ter uma introdução. Estas empresas, que são as mesmas de hoje em dia, apenas querem ter um site com “tecnologia de ponta” e esquecem-se do essencial, os seus clientes.

Os comerciais e gestores de projectos adoram estes termos porque é giro dizer que a empresa onde trabalham já faz sites para a “web 2.0” mesmo que não percebam nada do que estão a dizer. Os developers também são culpados porque começam a espetar 1001 bibliotecas de Javascript sem qualquer tipo de redução de código ou compressão GZip.

No final, um site que poderia ocupar apenas 50Kb a carregar, vai ocupar 200Kb para mostrar a mesma informação esperando que o cliente use o formulário de contacto para ver os efeitos “super-avançados” que o site tem.

E é assim que a web tem andado para a frente (ou não). Tenho acedido a alguns sites que, só para aceder à primeira página, obrigam-me a descarregar 1MB de código.

A web está a ficar demasiado pesada sem necessidade, andamos a aumentar a carga nos servidores com mais pedidos de ficheiros (e cada vez maiores), e a queimar tráfego tanto no servidor como na ligação do cliente. É que não temos todos ligações de 100Mbps com tráfego ilimitado.

 
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